segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sobre adultos e passarinhos

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Será que passarinho pensa? Às vezes penso sobre isso...

Aqui onde moro, as pessoas adultas cortam árvores como cortam pão,só que pão a gente come e a árvore não!Cortam árvore pra fazer calçada,pra acabar com a sujeira das folhas,pra plantar outra no lugar, você consegue acreditar?!

Nós vamos ganhar uma escola novinha em folha “- Pra vocês aprenderem melhor!” os adultos disseram.Então derrubaram tudo o que atrapalhava pra fazer uma escola nova, moderna e de cimento.

Tive vontade de chorar quando vi as ameixeiras e as bananeiras tombadas ali no chão.Pensei nos passarinhos que não comerão mais ali, nas sombras gostosas onde não deitaremos e nas frutas que não teremos.

No dia seguinte choveu muito e a chuva levou toda a terra da reforma,ficou uma correnteza perto da escola. Todo mundo nervoso com a chuva. Eu acho que eram as nuvens chorando pela morte das ameixeiras e das bananeiras. A raiva que eu senti, a chuva sentiu também e levou tudo pelo caminho.

Hoje um passarinho me viu e ficou olhando pra mim. Vi uma tristeza escorrendo do olhinho dele e fiquei com uma vergonha danada de ser gente. Falei pra ele não se preocupar, mas no fundo também fiquei com medo de, daqui um tempo, passarinho ser apenas uma pintura da aula de arte...

Com muito cuidado ele pegou um galho com o biquinho, bateu as asas e voou. Foi aí que pensei que passarinho deve pensar muito mais que muito adulto por aí...





menina-voadora


Olhei pela janela:

lá fora o sol fazia carinho nas folhas da árvore.


Dei um pulo da cama

coloquei meu vestido preferido

-de alças que fazem lacinhos-

corri pro quintal e me agarrei às cordas

primeiro em pé

depois com a barriga

por último sentei na balança

dei um impulso bem forte,

e senti o vento geladinho no meu rosto.


Da porta da cozinha vinha o cheirinho bom de café com leite

e o sorriso quente da minha mãe me chamando pra comer

e eu menina-voadora começava mais um dia de aventuras.




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

pra fazer um Jardim




Fiz uma lista

de coisas queridas,

de coisas encantadas

que eu quero

pra botar no meu jardim:


canto de passarinho

asas de borboleta

água com barulhinho

e um pouco de terra preta.


Um pé de flor e trepadeira

uma pitangueira carregadinha

cheiro bom de primavera

e a grama muito verdinha.


vaga-lume bem faiscante

um grilo bem cricrilante


Abelha procurando mel

balanço de dançar com o vento

sombra de fazer cochilo

um sol morninho de dia

lua e céu estrelado de noite.


Também será preciso:

pés descalços- brincantes

olhos de ver formigas trabalhadeiras

boca cheia de sorrisos

mãos de amassar barro

bumbum de sentar no chão


banho de mangueira

pipas coloridas

bolinhas de gude

e bolinhas de sabão.


E um montão de gente bacana e comida gostosa

pra fazer um piquenique numa tarde de verão.





sexta-feira, 18 de setembro de 2009

o céu lá do meu quarto

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“Olha seu quarto novo!"

disse minha mãe mostrando aquela parede azulzinha feito céu de primavera!

Foi daí que minha imaginação bateu asas e voou...

nas asinhas de uma fada, nas costas de um dragão,

em uma pipa colorida, numa nuvem macia de algodão,

no bico do beija-flor, nas asas do bem-te-vi

rodopiei com as estrelas, escorreguei no arco-íris.

Gostei tanto daquele céu particular

que não entendi o grito que minha mãe deu

quando me viu pintando um miolo de girassol.

“Mãe, olha quanta gente veio morar no meu céu!”

Mas ela não se convenceu, guardou minha caixa de lápis de cor

e um ruga na testa por uma semana.

Pintou tudo de novo e preferiu um céu vazio,

vai entender as mães...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

na horta do meu avô


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Na casa do meu vô
tem uma bica
de água fresquinha.
“Não vá à horta sozinha!”
avisa meu avô,
com a cara fechada e o coração aberto de amor.
Minha felicidade
é fazer de conta que sou fada,
faço um copo com folha de taioba
e bebo água da bica
 como quem bebe uma poção mágica!
A horta é meu reino encantado,
o meu vô é o velho sábio,
que sabe tudo sobre chás
e me ensina os segredos deste mundo...




aventuras em dia de chuva

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Tem gente que acha

que a chuva estraga tudo,

gente besta que não sabe

que chuva é coisa boa pro mundo!


Se eu não posso ir lá fora

pra brincar no meu quintal,

faço uma cabana bem depressa

juntando travesseiros e lençol.


E na minha imaginação

tudo pode acontecer,

tem areia movediça no chão

bicho solto pra valer!


A cama vira montanha

que eu preciso escalar,

a cozinha é uma grande mata

e a árvore-geladeira é que vai me alimentar.


Faço fogueira de mentira

e um plano no papel,

sou esperta e corajosa

posso até voar no céu.


Minha mãe está perdida

no Vale da Roupa Suja,

com um salto perigoso

eu lhe dou a minha ajuda.


O meu pai é o Rei do Tempo

que consigo encontrar,

faço logo uma reverência

pra ele vir comigo brincar.


Depois de tanta aventura

e um pouco de confusão,

eu deito em meu abrigo

e adormeço ali no chão!





domingo, 13 de setembro de 2009

meu segredo

Edgar Degas




Minha sala é minha caixinha de música...

Ligo o som e fecho os olhos-

logo meus braços se abrem,

as pernas se movem

e eu me torno bailarina.

Não tenho pressa,

não tenho medo

bailarina pode tudo,

E é este o meu segredo!





história de uma pulga

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Uma vez,
uma pulga pobrezinha,
andava sem destino,
sem comida e nem casinha.

Muito desanimada,
chorosa e bem fraquinha,
encostou-se em um canto
e ficou bem quietinha.

Já quase sem esperança,
sem saber o que fazer,
de repente viu uma criança,
na sua frente aparecer!

Reunindo toda força,
com um salto bem certeiro,
pulou no menininho
e mordeu-lhe a perna primeiro.

Com o ânimo aumentando,
já sentindo força e tudo,
deu um salto bem preciso,
foi da perna ao cocuruto.

E agora bem fortinha,
com um sorriso muito bobo,
deu um pulo bem alegre
e começou tudo de novo!




bolha de sabão


foto Liliana Reis





Do meu sopro,
uma bolha de sabão.
Sobe alto,
voa leve
e vem cair
na palma
da minha mão!